sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...


FALTA-NOS UM BOCADINHO ASSIM...





"Não considero a nossa selecção uma equipa. Não se trata (parece-me) de atitude, nem de vontade e muito menos de falta de ambição, parece-me, sim, falta de convivência e de rotinas."



PEDRO ROCHA




Numa semana em que a selecção deu mais uma mostra do que é capaz (e do que não é) achei por bem escrever sobre o que me angustia neste fenomenal conjunto de jogadores que temos.

E sim, não estou a ironizar quando me refiro à nossa selecção como um conjunto fenomenal. Senão reparem: temos dos melhores jogadores do mundo em cada sector, ainda que alguns não atravessem o melhor momento de forma. Na defesa, Pepe e Ricardo Carvalho são centrais de classe mundial. No meio-campo, Deco continua a ser um dos melhores jogadores na sua posição. No ataque, temos somente o terceiro melhor jogador do mundo para a FIFA, Cristiano Ronaldo, e mais dois alas espectaculares que ainda no Verão passado tiveram várias equipas interessadas em si, sendo que Simão acabou mesmo por ingressar no Atlético. Quaresma manteve-se no Porto.

Por tudo isto, Portugal parece ser uma equipa sólida na teoria, teoria que se esvazia logo nos primeiros minutos de um qualquer jogo. Não considero a nossa selecção uma equipa. Não se trata (parece-me) de atitude, nem de vontade e muito menos de falta de ambição, parece-me, sim, falta de convivência e de rotinas. Por isso, continuamos a viver (tal e qual como no apuramento) da magia de Ronaldo, Quaresma, Simão, Deco e Nani. Para conseguirmos chegar ao golo são sempre necessários desequilibrios destes jogadores. Uma jogada de equipa, em que a bola circule por muitos jogadores antes de entrar (como no primeiro golo da Itália)? Não vejo. Nós, portugueses, ficamos iludidos por enormes jogadas individuais que terminam em golos de belo efeito, mas trabalho de equipa vê-se pouco, muito pouco. Esse defeito é ainda mais notado quando se trata de defender. Aí os pupilos de Scolari mostram-se desorganizados e pouco, muito pouco coesos.

A nossa selecção tem de acordar rapidamente e Scolari necessita de realçar o seu ponto forte como selecionador: a capacidade de transformar a equipa numa família em que existe um núcleo duro, nem que para isso necessite de deixar alguns jogadores em terras portuguesas. Esperemos, pois, ansiosamente que aqueles 15 dias pré-Euro, em que se trabalha verdadeiramente como equipa, que a selecção das quinas consiga a ligação que falta, e adquira as rotinas de jogo necessárias para chegarmos à final e vencermos (sim, porque não resistirei a outro desaire na praia). Eu acredito, e você?






1 comentário:

C. disse...

O que disseste aqui resume-se naquilo que toda a gente vê mas ninguém admite: Scolari não sabe treinar uma equipa. Enquanto isso, Portugal vive dos jogadores de topo que tem e da vontade deles de suar a camisola nesse dia.