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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...


PROFISSIONALISMO INGLÊS
VS
PROFISSIONALISMO EUROPEU



Os jogadores dão o máximo de si, não só nos “grandes”, mas também nos “pequenos”. Não interessa se é o Aston Villa, o Manchester United, o Arsenal, ou o Ipswich. Todos os clubes merecem o máximo carinho dos seus adeptos porque estes dão-lhes espectáculo todas as semanas, mesmo que para isso abdiquem de mais uns dias de férias. A dedicação é total.



ANDRÉ MATOS LEITE



Já acabou a época das festas de fim de ano. Natal e Ano Novo só daqui a 12 meses. Pensariam os leitores que a primeira rubrica do “ESTA SEMANA, ESCREVO EU...” apresentaria o balanço do ano que passou… Estão enganados!

Como apreciador do desporto-rei que é o nosso amado futebol, pensei que iria passar uma autêntica “ressaca futebolística” com as bem merecidas férias de Natal e Ano Novo que os jogadores por todo o mundo têm a oportunidade de gozar. Mas, para minha imensa felicidade, redescobri (como tenho feito estes últimos anos) que a Liga Inglesa não pára. Em Inglaterra, país berço deste nosso desporto, não há paragem para o Natal. Enquanto os nossos atletas, assim como os das restantes ligas europeias (pelo menos as que são do meu conhecimento), gozaram uns dias de descanso, os clubes britânicos continuaram a treinar e a jogar como se nada diferente houvesse nesta época. Creio que este é um ponto ilustrativo da questão que pretendo levantar.

Não sou contra a existência de férias, antes pelo contrário! No entanto, há profissões e há profissões, há éticas de trabalho e há éticas de trabalho. No futebol de “terras de sua majestade” a ética é a do profissionalismo máximo. Os jogadores dão o máximo de si, não só nos “grandes”, mas também nos “pequenos”. Não interessa se é o Aston Villa, o Manchester United, o Arsenal, ou o Ipswich. Todos os clubes merecem o máximo carinho dos seus adeptos porque estes dão-lhes espectáculo todas as semanas, mesmo que para isso abdiquem de mais uns dias de férias. A dedicação é total. Só no fim das competições descansam. E mesmo este descanso, no caso dos jogadores internacionais, pode não ser total.

Alguém imagina isto a acontecer no resto da Europa? Alguém imagina Espanha, Itália, Portugal, Alemanha, entre outras grandes ligas europeias, a seguir o exemplo britânico? Creio que haveria mesmo uma revolução dos jogadores caso isto acontecesse. É, no entanto, estranho. Com tantos jogadores provenientes da Península Ibérica a actuar na Premier League, porque não seguimos o exemplo inglês? Sei que todos temos direito a gozar o Natal e o Ano Novo, mas não poderiam os jogadores abdicar de mais alguns dias de férias para se realizar mais uma jornada neste período? Se em Inglaterra e na Escócia podem, porque não podemos nós cá fazer o mesmo? Será que nas ilhas do Norte tratam os jogadores como escravos ou será que têm campeonatos mais profissionais?


sexta-feira, 3 de outubro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...




REVOLTA EM SEMANA EUROPEIA



Os verde rubros jogavam contra o Valência enquanto que o Setúbal jogava contra o Heerenveen e o Braga com o Artmedia… Querem ver que partidas contra clubes que poucos ouviram falar são mais importantes que um encontro contra uma das maiores referências futebolísticas de Espanha? Não havia dinheiro para comprar a transmissão? Talvez se não comprassem a transmissão do NASCAR (...) já tivessem dinheiro…



ANDRÉ MATOS LEITE




Passou mais uma semana europeia. Na Liga dos Campeões Portugal ficou com saldo neutro e na Taça UEFA saldo negativo. Apesar do bravo “combate” do Guimarães e do Marítimo estes pequenos grandes clubes ficaram fora da competição enquanto que o Setúbal se mostrou como um clube de meio da tabela. Braga e Benfica avançam para a fase de grupos. Já na “Champions”, o Sporting venceu o Basileia com dois lances recheados de sorte (embora em boa verdade em outros tantos só por muito azar o golo tenha fugido) e o Porto sofreu uma humilhação muito pouco comum no campeão nacional.

Esta é a lista resumida dos acontecimentos. É a lista que posso avaliar. Por razões que não entendo, um dos jogos europeus (o Valência – Marítimo), não foi transmitido pela televisão. Segundo consta (no site online do Record, pelo menos), há um penálti a favor do Marítimo que o árbitro se esqueceu de assinalar e compensou o erro marcando um penálti que só ele viu a favor da formação espanhola. Infelizmente não tive ainda oportunidade de avaliar tais lances. Enquanto que o jogo do Setúbal foi transmitido na SportTV 2 (na mesma altura passava o Braga na SportTV 1), o Marítimo apenas foi transmitido na Madeira… Resta referir que durante o jogo dos insulares as três emissões da SportTV eram o jogo do Guimarães (SportTV 1) e, salvo erro, uma competição de vela (SportTV 2) e outra de NASCAR (SportTV 3).

Sou da opinião que não interessa se somos adeptos do clube ABC ou do XYZ. Se qualquer equipa portuguesa está a disputar um encontro contra outra estrangeira, está em causa não o clube em si, mas o prestígio e a honra do futebol nacional. Tendo isto em consideração, porque é que o jogo do Marítimo não recebeu a mesma atenção de um canal português de desporto (que somos obrigados a pagar para poder ver) que os restantes clubes envolvidos em competições europeias? Os verde rubros jogavam contra o Valência enquanto que o Setúbal jogava contra o Heerenveen e o Braga com o Artmedia… Querem ver que partidas contra clubes que poucos ouviram falar são mais importantes que um encontro contra uma das maiores referências futebolísticas de Espanha? Não havia dinheiro para comprar a transmissão? Talvez se não comprassem a transmissão do NASCAR (nunca percebi muito bem o interesse dos desportos motorizados, mas este então! Minha Nossa!), já tivessem dinheiro…

Também achei interessante a cobertura das rádios. Peço desculpa se estiver enganado, mas creio que não. Enquanto que uma rádio fazia o relato do Benfica quase não dando espaço aos restantes clubes (excepto para dizer o resultado mais rápido do que eu consigo dizer, o que já é bastante rápido) outras preferiam dar mais destaque à publicidade do que a qualquer um dos jogos. Aliás, nestas rádios agradeço aos comentadores por me terem permitido perceber o que se passava em campo. É que de quem fazia os relatos só ouvia “E leva a bola pelo flanco esquerdo… Pequeno intervalo para publicidade”. Sim, esta quinta-feira acompanhei a maioria dos jogos pela rádio. Isto porque uma certa equipa que estava a jogar não passava na televisão porque a empresa decidiu fazer um canal de televisão do clube e privar tanto adeptos como interessados de ver o encontro em que participavam.

Portanto, passando revista a esta semana: dois clubes que desprestigiaram o país passaram na televisão; uma equipa que jogou contra uma formação quase amadora passou na televisão; de dois emblemas que, embora eliminados, lutaram com unhas e dentes pela vitória só um foi transmitido e, finalmente, o jogo duma equipa que é das que mais adeptos tem em Portugal foi transmitido em exclusivo num serviço de cabo que, provavelmente, já 1% da população tem. Valha-nos o Sporting que prestigiou o país e mostrou-se num canal de televisão que, embora pago, uma boa parte da população portuguesa tem acesso (penso eu, mas posso sempre estar enganado). Quando isto ocorre num país tão apaixonado pelo futebol como o nosso, só posso pensar que, entre clubes e media, todos nos gozam.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...




OS TOMBA-GIGANTES


Os tomba-gigantes são as melhores equipas do país porque nos relembram do mais importante do futebol. Não são os mais ricos que, necessariamente, são os melhores. Não é apenas na Primeira Liga que estão os candidatos a vencer a Taça de Portugal.




ANDRÉ MATOS LEITE




Esta semana tivemos Taça de Portugal. Muitas vezes olhamos para esta competição como o "patinho feio" do nosso país. Pelo menos eu e muitas das pessoas com que falo sobre futebol temos tendência a desvalorizar aquela que é, na realidade, a mais maravilhosa das competições portuguesas no desporto-rei.

Esta temporada foi uma agradável surpresa ver o Atlético de Valdevez. Uma humilde equipa da II Divisão B conseguiu chegar aos quartos-de-final da Taça, tendo derrotado, para conseguir tal feito, nada menos que quatro emblemas da Liga Vitalis, incluindo os três primeiros classificados e, portanto, os três principais candidatos a subir à Liga Portuguesa, principal escalão do futebol nacional.

Quem se esqueceu da magnífica campanha de uma outra equipa, actualmente da Primeira Liga e antiga líder do campeonato, mas que na época 2001/2002 militava, também, na II Divisão B e que conseguiu o notável feito de chegar à final com o Sporting? Já então foi uma febre por todo o país assistir aos jogos para a Taça de Portugal do Leixões. Foi algo que nos relembrou de uma coisa importantíssima, algo que temos tendência a muito esquecer…

Os tomba-gigantes são as melhores equipas do país porque nos relembram do mais importante do futebol. Não são os mais ricos que, necessariamente, são os melhores. Não é apenas na Primeira Liga que estão os candidatos a vencer a Taça de Portugal. Qualquer equipa, com o seu esforço, o seu suor e a sua paixão pelo jogo, tem hipóteses de chegar ao fim com o troféu na mão. Mais ainda e com importância ainda maior, relembra-nos que não só nos três grandes há grande qualidade a nível de jogadores. Em todas as divisões, em todos os clubes, há e haverá sempre jogadores cheios de qualidade à espera de serem chamados aos principais palcos portugueses e europeus, à espera de uma oportunidade para brilhar e de se mostrarem ao mundo como jogadores cheios de potencial que teriam ficado perdidos se ninguém lhes tivesse dado uma hipótese… ou se eles não tivessem colocado de lado todos os medos e todas “verdades” do costume e lutado para chegar até à vitória final. Ontem, quando defrontou o Nacional, o Valdevez foi eliminado da Taça. O sonho terminou. Contudo, a força e paixão demonstrada por aqueles atletas permanecerá por anos a fio. Tudo porque mostraram que até uma humilde equipa da II Divisão B pode obrigar um poderoso emblema da Primeira Liga a bater-se nos penaltys após ter visto a sua hipótese de triunfar gorada nos 90 minutos regulamentares e no prolongamento…

A fechar, afasto-me um pouco do tema. Neste que será, provavelmente, o meu último comentário neste projecto que tanta alegria trouxe a uma mão cheia de badamecos do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto… temos sido, também nós, os outsiders de Portugal. Cinco alunos, cinco jovens com amor incondicional por este grandioso desporto e um espírito de amizade como pouco se vê já no mundo, tornaram-se nos tomba-gigantes do jornalismo desportivo. Bem, talvez não tomba-gigantes no verdadeiro sentido da expressão. O que é certo, no entanto, é que podemos fechar esta semana, mas conseguimos sentir que fizemos um bom trabalho. A todos os que nos acompanharam todo este tempo, a todos os que só nos acompanharam no início, no fim ou pelo meio da Gazeta do Futebol e também, porque não, a todos os que nunca souberam ou quiseram saber de todo o trabalho que desenvolvemos, deixo esta mensagem: se os tomba-gigantes, os pequenos que conseguem provar ser grandes, existem no futebol, não deixam de ser uma analogia para a realidade de todas as áreas do mundo. Nós provámo-lo e espero que por todo o mundo sigam o nosso exemplo. Na vida, tal como no futebol, não são necessariamente os ricos que triunfam. Qualquer um com o seu trabalho e o seu suor pode chegar ao topo, com paixão e esforço tudo se consegue. Mas se não conseguirmos chegar mesmo ao topo da montanha, pelo menos damos umas gargalhadas pelo caminho, levantamo-nos e sabemos que basta o nosso desejo para voltarmos a tentar a escalada “impossível” outra vez.



sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...

CUIDADO COM AS MISTURAS



Não está fácil a vida de Quim no Benfica. Um guarda-redes que nunca foi 100% aceite no clube está sempre sujeito a "bater no fundo" mais rápido. E foi isso que aconteceu, com uma comunicação social que teima em confundir os desempenhos no clube com os da selecção.



GUILHERME BRAZ



Para a comunicação social Quim e Benfica não rimam. E se não rimam, não combinam. É esta a conclusão a que se chega, após uma semana a assistir a ataques de todos os lados com o guardião encarnado como único alvo.

Para que não haja dúvidas, creio que Quim não tem esteve bem contra o Setúbal. Também sou da opinião de que nenhum guarda redes deve encaixar cinco golos num jogo que nem era para perder. Mas atenção: se os jornais querem à força Moreira na baliza encarnada, pelo menos fiquem-se pelos erros de Quim no Benfica, e esqueçam os da selecção.

"Quim encaixou treze golos em treze dias". Esta foi a frase mais badalada ao longo da semana, mas é preciso não olvidar que seis desses golos foram encaixados num jogo da selecção. Que eu saiba, a defesa e o meio campo defensivo da selecção nacional não incluem jogadores do Benfica. Então porquê a confusão mediática?

Quim, como qualquer jogador que tem a oportunidade de jogar no clube e representar o seu país, tem esta "vida dupla". Duas realidades distintas, duas equipas distintas que o forçam a adaptar-se e a dar o seu melhor em cada uma delas. Não se tem saído bem ultimamente, nem numa, nem noutra. Mas não ouço falar em Eduardo ou Rui Patrício para a selecção? Será por não haver jogos das "quinas" num futuro próximo? Não me parece.

O Benfica é o clube que mais vende, para o bem... e para o mal diria Quim. A comunicação social, nomeadamente a desportiva, está sempre "sedenta" de polémica e é por isso que o erro do guarda-redes contra o Setúbal foi visto como "um frango que destruíu a águia". Não há volta a dar. A imprensa, as televisões e a rádio sempre foram assim no que toca ao futebol. Só há uma maneira de Quim ultrapassar as críticas: com apoio interno. Têm-no visto? Eu não. E Quique, um treinador que até me vinha "caindo" no gosto esteve mal. Falou das alterações que poderão acontecer no próximo jogo, atemorizando ainda mais um atemorizado Quim.

Moreira é um bom guarda-redes, um miúdo da casa que, com toda a certeza, trabalha todas as semanas para garantir um lugar na baliza encarnada. Se o conseguir, os meus parabéns. Mas os meus parabéns também a Quim que já deu muito ao Sport Lisboa e Benfica.

Pena que nem todos o entendam...



sexta-feira, 13 de junho de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...




TRAGAM ESSE CANECO!



Podemos, então, acreditar que é perfeitamente possível chegar longe, muito longe. Deixo só um repto aos 23 jogadores de Portugal e à equipa técnica: chegando à final não a percam novamente. Não morram outra vez na praia, tão perto do Mar. Tragam esse merecido caneco para Portugal. Tragam-no de uma vez por todas e inundem este país de euforia. Por um, dois, três dias vamos comemorar a vitória e esquecer tudo o resto. Eu acredito, Portugal. Tragam essa alegria para o nosso país, porque para tristezas já temos o dia-a-dia.



PEDRO ROCHA



A selecção nacional iniciou, esta semana, uma caminhada que esperamos, portugueses, seja triunfal. A forma como entrámos foi perfeita. Se havia ilusão escondida, depois dos primeiros jogos esta frágil ilusão passou para uma forte possibilidade. Portugal entrou bem, a dominar, a criar ocasiões de golo e a convertê-las em alturas ideais. Ideais, sim, porque afinal matámos os dois jogos já nos descontos (ideal seria vencer sempre por 3-0 mas isso tiraria toda a emotividade). Passado este teste e carimbado o passaporte para os quartos-de-final ficamos a somente 270 longos minutos de vencer o troféu. Parece muito mas, afinal, já chegámos a meio da prova. Será que temos legítimas aspirações? Penso que já provámos que sim. Somos candidatos.

Agora temos que o provar nos jogos a sério. Em princípio, se não houver mais nenhuma surpresa, a nossa adversária será a poderosa Alemanha. Depois de um jogo razoável, frente à Polónia (muita fraca por sinal), os germânicos esbarraram numa Croácia determinada e acabaram por perder. Agora, jogam frente à Aústria que ainda acalenta esperanças de passagem. Para isso “basta” derrotar a Alemanha e atirar os «panzers» para canto. Nesse caso, encontraríamos o outro anfitrião do torneio (a Suíça, defrontamos no Domingo). Para mim, venha quem vier, Portugal tem mais é que vencer. Qualidade tem que chegue para isso. Acredito piamente que passe a Alemanha. Obviamente que a selecção germânica será, à partida, bem complicada. Pela tradição, pelo peso no futebol internacional e pelo colectivo sempre muito forte. Individualmente e para fazer a diferença vejo, neste momento, somente três jogadores capazes de o fazer: Podolski , Ballack e Klose. O resto são jogadores de bom nível, correcto, mas sem grande classe.

Podemos, então, acreditar que é perfeitamente possível chegar longe, muito longe. Deixo só um repto aos 23 jogadores de Portugal e à equipa técnica: chegando à final não a percam novamente. Não morram outra vez na praia, tão perto do Mar. Tragam esse merecido caneco para Portugal. Tragam-no de uma vez por todas e inundem este país de euforia. Por um, dois, três dias, vamos comemorar a vitória e esquecer tudo o resto. Eu acredito, Portugal. Tragam essa alegria para o nosso país, porque para tristezas já temos o dia-a-dia.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...


AS EMOÇÕES DO FUTEBOL


A semana começou com assobios, passou pelo amor ao clube e acaba com a luta pelo segundo lugar no campeonato,uma homenagem a Fehér e um grande clássico do futebol português.


PATRÍCIA MARTINS



Muito se falou, esta semana, dos assobios a Quaresma. Como já referi uma vez neste espaço, não é com assobios que as coisas vão ao sítio, pelo contrário! Qual será a lógica de num minuto aplaudir um lance espectacular e diferente de tudo o resto, para no minuto a seguir assobiar por uma mesma iniciativa que não correu tão bem? Quaresma não merecia isso. Nenhum jogador que sustenta uma equipa o merece.

Mas recordemos o que se passou a seguir: mostrou-se indignado com a atitude dos adeptos, ameaçou (subtilmente) deixar o F.C. Porto e renovou o seu contrato com o clube da invicta. Nessa altura, aproveitou para demonstrar o seu amor pelo Porto. A Ricardo Quaresma seguiu-se Raul Meireles: “Qualquer jogador que está cá tem esse sentimento. Ainda para mais eu, que nasci nesta cidade e me habituei desde miúdo a gostar do F.C. Porto, por isso sim. Tal como Quaresma, amo o F.C. Porto».

O futebol português voltou a cair na velha frase “desde pequenino que sou do clube x…”. Não que isso tenha qualquer mal, afinal, só demonstra que em pequeninos tinham um coração futebolístico muito grande, onde cabiam muitos clubes!

Esta é jornada de clássico entre Sporting e Porto. Quaresma regressa à casa que o viu nascer para os grandes palcos do futebol. Será que em Alvalade os assobios, que certamente se farão ouvir, serão dirigidos ao avançado do F.C. Porto ou à própria equipa da casa que continua a tentar quebrar o mau momento que vive? Um jogo de emoções para seguir no próximo Domingo.

No Sábado, é a vez de outro jogo importante: Vitória de Guimarães e Benfica discutem o segundo lugar da Bwin Liga. No estádio D. Afonso Henriques as emoções vão estar ao rubro. Se o Vitória está em êxtase com a excelente época que tem feito e a possibilidade de subir ao segundo lugar, o Benfica, por sua vez, não quer perder a hipótese de se manter atrás do líder F.C Porto.

Este é um encontro carregado de simbolismo, uma vez que faz (precisamente hoje) quatro anos que Miklos Fehér perdeu a vida naquele mesmo estádio.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...


CAJUDA: PARA ONDE VAIS?


Conseguem imaginar a paixão de Cajuda aliada à organização eficiente do F.C. Porto? Eu consigo. Conseguem imaginar a raça de Cajuda a treinar os «encarnados» e a vibrar com a sua massa associativa? Eu consigo. Conseguem imaginar a psicologia de Cajuda a fazer maravilhas num crónico outsider como o Sporting? Eu consigo. E a Selecção pós-Scolari? Ai, se consigo!



JOSÉ PEDRO PINTO



Foi ele quem pegou na equipa do Vit. Guimarães, a meio da época anterior, com os vimaranenses na segunda metade da tabela classificativa da Liga de Honra, quase arredados da subida ao principal escalão do futebol português. A sua paixão pela bolinha que rola aos domingos à tarde movimentou as gentes de Guimarães para um apoio incondicional ao grupo de trabalho até que a subida se consumou após uma 2ª Volta verdadeiramente sensacional.

Para sua mágoa (e de todos nós...) nunca teve a oportunidade de orientar um dos grandes do nosso futebol. Esteve na génese do Sp. Braga europeu, conseguiu levar a U. Leiria à final da Taça de Portugal, em 2003, e está, neste momento, a conseguir um feito brilhante, na época de regresso do Vitória à Bwin Liga.

Conseguem imaginar a paixão de Cajuda aliada à organização eficiente do F.C. Porto? Eu consigo. Conseguem imaginar a raça de Cajuda a treinar os «encarnados» e a vibrar com a sua massa associativa? Eu consigo. Conseguem imaginar a psicologia de Cajuda a fazer maravilhas num crónico outsider como o Sporting? Eu consigo. E a Selecção pós-Scolari? Ai, se consigo!

A sua filosofia espelha-se nos balneários, no trato pessoal e carinhoso que dá aos jogadores. A sua felicidade e gosto pelo futebol inundam e animam qualquer conferência de imprensa, com o seu sorriso matreiro e com as suas filosofias intrapessoais sempre presentes em qualquer resposta.

Cajuda iluminou mais uma época do nosso futebol. A sua simplicidade, modéstia (a que é mostrada, dia após dia) e humildade são as chaves de sucesso para um Vit. Guimarães europeu. Resta uma questão virada para o futuro: para onde vais, Cajuda?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

ESTA SEMANA, ESCREVO EU…


MUDANÇAS JÁ ANUNCIADAS COM DESEJO DE BOM FUTEBOL PARA 2009 À MISTURA




MUITO CAMPEONATO HÁ AINDA PARA DECORRER E CREIO QUE ESTA MUDANÇA, AINDA QUE INESPERADA, DE LIDERANÇA NÃO SUGERE JÁ UMA RENOVAÇÃO DO TÍTULO AZUL E BRANCO. ESPEREMOS PARA VER, PORQUE OS ADEPTOS PRECISAM É DE EMOÇÕES E BOM FUTEBOL.



PATRÍCIA MARTINS



Ainda Janeiro está a começar e já se anunciam mudanças dentro dos clubes para a próxima época. Esta semana foi a vez do Sporting tornar público que Luís Soares Franco não se vai recandidatar à presidência leonina. Soares Franco é um homem de negócios. Não se pode negar que tenha feito uma boa gestão do Sporting, sobretudo a nível financeiro, no qual o clube leonino, com maior ou menor custo, lá se foi aguentando por caminhos dignos.

Mas Soares Franco não é um homem de futebol. Futebol é paixão e ele não demonstra esse exorbitar. É verdade que criticamos constantemente as cenas públicas que os dirigentes clubistas protagonizam. Mas isso não tira o lugar a darem a cara nas lutas que o clube atravessa com os adeptos.

Com esta decisão levanta-se mais uma vez a questão de Paulo Bento. O treinador, muitas vezes criticado, termina o contrato no final desta época. O presidente ainda em curso pode optar por propor a renovação de contrato, é certo, mas será sempre uma medida arriscada. Bento teve um discurso sensato ao optar por não transmitir nenhuma posição. Não sai com Soares Franco, mas também não garante que permaneça no Sporting ainda que a renovação fosse uma proposta viável.

Do outro lado da circular é inevitável lembrarmos a perda do primeiro lugar do Benfica. O início de 2009 trouxe a fava do bolo-rei aos encarnados que tropeçaram na Trofa. Os dragões não deixaram escapar a oportunidade para retomarem a posição onde nos últimos anos se sentem mais confortáveis: o topo da tabela.

Muito campeonato há ainda para decorrer e creio que esta mudança, ainda que inesperada, de liderança não sugere já uma renovação do título azul e branco. Esperemos para ver, porque os adeptos precisam é de emoções e bom futebol. Uma maior competitividade na luta aos lugares cimeiros só ajuda a manter o interesse no campeonato e é isso que espero ver por parte de todos os clubes.

Que 2009 nos dê muitos bons motivos para continuarmos a gostar de futebol.

P.S. - Este será provavelmente o meu último comentário neste espaço. Assim o dita o aproximar dos estágios académicos… Desse modo, quero aproveitar este meu “tempo de antena” para mandar um abraço do tamanho do mundo aos meus fiéis companheiros da Gazeta do Futebol. Com eles aprendi a receber e partilhar críticas e elogios e desse modo colocar em prática os conhecimentos que adquiríamos nas aulas. André, José Pedro, Guilherme e Pedro. Para eles, toda a felicidade do mundo.




sexta-feira, 6 de junho de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...


O CIRCO DO EUROPEU



Não estou contra todas as informações sobre o Euro 2008 e a selecção portuguesa. Sempre que há uma lesão preocupante, a hipótese de mostrar um treino ou qualquer outro acontecimento importante, por favor, imprensa lusitana, mostrem-nos. Quero saber se o Deco pode ou não jogar, quero ver o decorrer dos treinos, isso sim. Não quero ver o que os jogadores estão a comer, nem tem pouco saber qual foi o jantar que ontem tiveram.



ANDRÉ MATOS LEITE



Começa amanhã o Euro 2008. Suíça e República Checa inauguram a competição, Portugal e Turquia defrontam-se quase três horas depois. É sempre um evento muito especial para os adeptos do desporto-rei, especialmente os europeus.

Pessoalmente adoro o evento. Sinto as emoções em todos os jogos de futebol (e de outros desportos, já agora) que vejo, mas nunca vibro tanto como com a Selecção. É uma sensação como nenhuma outra ver 23 jogadores a representar o seu país contra outros 23 a fazer o mesmo. É o duelo entre nações. É o duelo entre rivais ou amigos de longa data. Por vezes, é a vingança de edições passadas. É, para mim, um dos mais bonitos e emocionantes espectáculos do mundo do futebol.

Quanto ao evento em si não tenho nada contra. Aliás, só tenho a favor. No entanto, tenho muito contra a cobertura mediática que a imprensa portuguesa tem feito de tão importante competição. Esta semana, quando fazia “zapping” pelos canais da televisão, deparei-me (creio que na SIC) com um directo em que me parecia que se mostrava a equipa das “quinas” a dar graças antes de jantar. De todas as coisas que podiam falar e mostrar sobre a Selecção porque nos mostram o jantar dos jogadores? Não terão eles direito a comer tranquilos? Mais, o que contribui para a nossa felicidade saber ou ver o que eles comem? São inúmeros os ex-internacionais portugueses, quer de tempos recentes, quer de tempos antigos, que poderiam ter convidado para darem o seu parecer sobre o que se espera de Portugal. Desde Eusébio e Coluna até Figo e Rui Costa. Qualquer um deles poderia ter sido convidado para uma entrevista em que falassem sobre a selecção das “quinas” e as suas adversárias. Não foi isso que aconteceu. Preferiram mostrar-nos o jantar dos jogadores.

Não estou contra todas as informações sobre o Euro 2008 e a selecção portuguesa. Sempre que há uma lesão preocupante, a hipótese de mostrar um treino ou qualquer outro acontecimento importante, por favor, imprensa lusitana, mostrem-nos. Quero saber se o Deco pode ou não jogar, quero ver o decorrer dos treinos, isso sim. Não quero ver o que os jogadores estão a comer, nem tem pouco saber qual foi o jantar que ontem tiveram. Não quero saber se o Ronaldo fez uns telefonemas e esteve a dar uma festa. Para quê estas informações? Para que quero eu saber do jantar, do gato, do cão, do primo afastado do Nuno Gomes que ele só vê nos funerais? Não queremos, não precisamos. Para quem quer e precisa de ver isso, por favor, criem um canal só para eles, criem um canal só para quem quer saber dessas informações inúteis porque assim, ao menos, nós adeptos do futebol, que gostamos de informações que são do futebol, podemos continuar a ver as notícias importantes que mostram a arte do desporto-rei em toda a sua glória e não as notícias inúteis que mostram e violam a vida íntima e privada de, neste caso, 23 jogadores que estão a caminho da Suíça para representar o nosso país e que, portanto, deveríamos respeitar.


sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ESTA SEMANA ESCREVO EU...



MAGIA?



Os jovens esperanças (?) deram uma lição às crianças que viram o jogo, no estádio ou na televisão, e que sonham, eventualmente, ser, um dia, jogador de futebol. A mensagem foi clara: tudo o que não se deve fazer numa partida de futebol.



PEDRO ROCHA



Embaraçoso. Assim defino os dois jogos das nossas principais selecções (esperanças e AA) realizados esta semana. Mas vamos por partes.

Na terça-feira, os sub-21 portugueses realizaram uma exibição fraca, muito fraca. Se a memória não me falha (e ainda sou novo para isso) vi nesta terça-feira “negra” a pior exibição dos últimos tempos de uma selecção nacional. Os jovens esperanças (?) deram uma lição às crianças que viram o jogo no estádio, ou na televisão e que sonham, eventualmente, vir a ser um dia jogador de futebol. A mensagem foi clara: tudo o que não se deve fazer numa partida de futebol. Se os miúdos estiveram atentos, tiraram ilações importantes para o futuro. Uma equipa amorfa, sem ideias, cada um a jogar para si, sem táctica, enfim, só uma coisa eles tinham e vão continuar a ter: vaidade. Os media nacionais tratam de alimentar o ego a muitos pseudo-craques daquela selecção. Digo «pseudo» porque todos aqueles jogadores ainda não provaram, rigorosamente, nada. Vamos aos mais importantes: Manuel da Costa fez meia dúzia de jogos razoáveis no PSV, mas, na Fiorentina, nem nas reservas. Pelé traçou igual caminho no poderoso Inter, mas parece que a fama já lhe sobe à cabeça. Vejamos se de regresso a Portugal melhora. Manuel Fernandes tem rodado por tudo o que é clube e continua sem se afirmar (bom empresário ele tem). Miguel Veloso começou bem no Sporting mas esta época vai desaparecer (previsão). Vaz Tê há muitos anos no Bolton e a única coisa que fez foi um golo ao Guimarães que por acaso ajudou a eliminar a equipa portuguesa. No fim, Rui Caçador assumiu e bem a culpa. Não sendo fácil orientar um grupo destes a verdade é que eles estão lá porque alguém os chamou. Para mim, a falha no acesso ao Europeu sub-21 é uma excelente oportunidade para renovar toda esta selecção.

No dia seguinte, Carlos Queiroz não foi capaz de inverter a nossa triste tendência de, ultimamente, perder pontos em casa. No entanto, com uma inovação face a Scolari. O brasileiro, em três jogos, empatou todos (Polónia, Sérvia e Finlândia), Queiroz perdeu. A verdade é que qualquer pessoa que assistisse ao jogo frente à Dinamarca não diria que temos um novo seleccionador. Quim uma excelente aposta, certo, mas azar dos azares sofreu um golo à Ricardo. Antunes, lateral de raíz que o nosso treinador sempre (?) quis. Pois bem, no primeiro jogo a doer, o miúdo vai para a bancada e regressa Paulo Ferreira (uma aposta de Scolari no Euro).

Portugal jogou bem, mas parece sempre faltar qualquer coisa. Mais que atitude penso que começa a pesar nos jogadores lusos a pressão dos últimos minutos. Afinal, tanto a Sérvia como a Polónia roubaram-nos pontos da mesma forma que a Dinamarca. Portugal joga bem, não amplia a vantagem quando pode, e depois é a aflição total com jogadores baixos e sem mentalidade defensiva a defender nas bolas paradas.

Queiroz, este filme já nós vimos, trata de nos surpreender. Portugal está em quarto lugar e num grupo com somente seis equipas é fundamental começar a amealhar vitórias já na próxima jornada. Esperemos para ver.


PS: Uma simples pergunta de um adepto nacional que quer o melhor para a sua selecção (não só a A): que foi Djaló fazer à selecção AA nesta jornada dupla? Era fundamental a sua presença nos sub-21. Convocado com todo o mérito mas a verdade é que o técnico não o utilizou. Pena para Rui Caçador.




sexta-feira, 21 de novembro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU…


CLAQUES: UM MAL NECESSÁRIO?





Sou a favor da operação fair-play precisamente para podermos “distinguir o trigo do joio” e os portugueses pararem finalmente de tomar a parte pelo todo. Precisamente pelo mesmo motivo sou contra a cobertura que a comunicação social faz de tudo o que se relaciona com as claques, influenciando inevitavelmente a opinião pública geral. Se devem noticiar o que está mal, porque não fazer o mesmo quando existem boas prestações? Afinal, a imparcialidade é um dos valores do jornalismo.



PATRÍCIA MARTINS



Não tolero a violência gratuita. Não tolero droga. Não defendo nem justifico o lado mau das claques. Mas será que o futebol pode (ou deve) viver sem elas?

Não creio. Numa época em que cada vez menos pessoas se deslocam aos estádios, são estes grupos organizados de adeptos que se deslocam pelo nosso país, de norte a sul, a apoiar as suas equipas e a colorir os estádios. Não fossem os Ultras e o futebol nacional estaria num estado de decadência ainda mais avançado.

Muito se falou esta semana da operação Fair-Play e da polémica à volta da claque benfiquista No Name Boys. Uma desculpa perfeita para os Ultras saltarem de novo para as capas de jornais pelos piores motivos e para que novamente os pseudo-intelectuais voltassem ao velho assunto de cavaqueira em que todos os elementos das claques são criminosos.

É de salientar que cada vez é mais fácil de comprovar que no seio desses núcleos existem todo o género de pessoas. Se há, de facto, os criminosos que provavelmente até nem querem saber dos clubes para nada e isso é apenas um degrau para poderem soltar tudo de mau que têm interiorizado, há também pessoas normais que pretendem unicamente apoiar o clube de uma forma activa.

Sou a favor da operação fair-play precisamente para podermos “distinguir o trigo do joio” e os portugueses pararem finalmente de tomar a parte pelo todo. Precisamente pelo mesmo motivo sou contra a cobertura que a comunicação social faz de tudo o que se relaciona com as claques, influenciando inevitavelmente a opinião pública geral. Se devem noticiar o que está mal, porque não fazer o mesmo quando existem boas prestações? Afinal, a imparcialidade é um dos valores do jornalismo.



sexta-feira, 7 de novembro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...




SPORTING NA HISTÓRIA:
ALGUÉM SE LEMBROU DISSO?




Defensor de um jornalismo sério e rigoroso (talvez utópico), acho por bem que todos os jogos europeus de clubes portugueses (são, no máximo, 7) mereçam destaque na imprensa nacional. Infelizmente, assim não acontece. Dos três jornais desportivos da nossa banca nenhum colocou o jogo de Alvalade em primeiro plano e preferiu dar relevo a dois jogadores do Benfica.




PEDRO ROCHA




O Sporting fez, esta semana, história na competição de clubes mais importante da europa. A equipa de Paulo Bento conquistou a vitória frente aos ucranianos do Shaktar – golo de Derlei - e lá carimbou a tão almejada passagem aos oitavos-de-final. O Sporting foi superior e com grande seriedade assegurou o apuramento a duas jornadas do fim da fase de grupos.


No flash-interview pós-jogo, Paulo Bento criticou o facto de a comunicação social não ter dado o devido tratamento à equipa. Concordo perfeitamente. Aliás, defensor de um jornalismo sério e rigoroso (talvez utópico), acho por bem que todos os jogos europeus de clubes portugueses (são, no máximo, 7) mereçam destaque na imprensa nacional. Infelizmente, assim não acontece. Dos três jornais desportivos da nossa banca nenhum colocou o jogo em Alvalade de primeiro plano e preferiu dar relevo a dois jogadores do Benfica.


Obviamente, não pretendo criticar, nem colocar em causa a grandeza do clube «encarnado», só julgo que entrevistas a Aimar e Suazo não se podem sobrepor a um jogo tão importante para o Sporting e até para o país.


Também sei que as vendas mandam e que o nosso país é composto maioritariamente por adeptos «encarnados». Mas mesmo estes compreenderiam, certamente, o destaque dado aos «leões». Recorde-se que à mínima escaramuça no balneário leonino, os três jornais dão, sem qualquer receio, a manchete à equipa verde-e-branca. Não é isto que defendo.


Por outro lado, não deixo de referir que Paulo Bento não se manifestou adequadamente. Uma crítica subtil, sim; uma crítica agressiva, desnecessária. Fica a nota.



sexta-feira, 19 de setembro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...

EUROPA: VIDA COMPLICADA PARA OS PORTUGUESES





As equipas portuguesas têm ainda muito a melhorar para jogar em competições europeias cada vez mais competitivas. Ainda assim, há algumas alegrias à espreita.


PATRÍCIA MARTINS


Esta semana entraram em campo as equipas portuguesas que estão nas competições europeias, contudo, aquilo que se esperava um palco de alegrias para Portugal depressa se esfumou em alguma desilusão. Das sete equipas lusas em provas, apenas F.C Porto e Braga foram felizes.

Depois da eliminação da Liga dos Campeões, Vitória de Guimarães está numa posição complicada para segurar a manutenção na Taça Uefa. Da visita ao Portsmouth os vimaranenses trouxeram uma derrota de 2-0 à qual vão tentar dar a volta na segunda mão, mas para isso, necessitam de marcar, no mínimo, três golos sem resposta em sua casa. Não basta alcançar os lugares europeus: é preciso provar que se merece lá estar.

O Marítimo depois de ter perdido em casa pela diferença mínima também não se encontra em melhor posição. Os madeirenses atrapalharam-se e cometeram muitos erros, enquanto o seu adversário aproveitou da melhor maneira as oportunidades e foi eficaz. Fica o desejo de mais trabalho e concentração para o jogo da segunda mão com vista a recuperar deste desastre da primeira ronda. Com a agravante de ser em território inimigo.

No clássico diante do F.C Porto, o Benfica já tinha evidenciado problemas físicos. Numa outra perspectiva, é certo, foram novamente problemas físicos que prejudicaram em grande parte os encarnados na deslocação a Nápoles. O Benfica perdeu, no entanto, mantém em aberto a eliminatória, trazendo para a Luz a decisão de passar à fase de grupos. Sem ser um jogo fácil, é justo que se refira o esforço de Suazo para se manter em campo lesionado, o que limitou o rendimentos da equipa da águia. Portugal espera mais.

A tarefa para o Vitória de Setúbal também não foi facilitada. Apesar do óptimo jogo que fizeram, a debaterem-se de forma até superior com os holandeses, a atitude merecedora nem sempre é tudo em jogo. Até o árbitro apitar os golos são válidos e é essa lição que ficou patente no estádio de Alvalade na noite de ontem. A passagem à fase de grupos da Taça UEFA pela primeira vez na sua história é ainda possível, mas para tal acontecer o Setúbal precisa de marcar em terras holandesas… e sofrer com convicção até ao apito final.

Em contas da UEFA só o Sporting de Braga deixou sorrisos rasgados. Uma clara vitória diante de um Artmedia muito debilitado deixa os minhotos praticamente com os dois pés na próxima etapa. Jorge Jesus tem responsabilidades já que soube manter a sua equipa a pressionar e a tirar o máximo proveito. Parabéns e venha a calma em Bratislava.

Na milionária Liga dos Campeões, o Sporting não conseguiu vencer o poderoso Barcelona apesar da crise anunciada pelos lados da Catalunha. A tradição mantêm-se e em território espanhol, os leões continuam a jogar como gatinhos sobre a forte pressão do Barça. Fica a nota da boa atitude de Miguel Veloso assim que entrou em campo.

F. C. Porto quebrou a tradição e estreou-se nesta época da Champions com uma vitória. Numa partida sofrida, quem se deslocou ao estádio do Dragão passou por alguns sustos. Apesar de justos os três pontos, os azuis e brancos passaram 90 minutos a rodopiar entre altos e baixos. É preciso mais concentração e melhor qualidade no próximo jogo. Por enquanto, tudo bem.

As equipas portuguesas têm ainda muito a melhorar para jogar em competições europeias cada vez mais competitivas. Ainda assim, há algumas alegrias à espreita.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...

RUI COSTA: JOGADOR OU DIRECTOR?


RUI COSTA É UM DOS PILARES DA EQUIPA DA LUZ. O SEU AMOR AO EMBLEMA DA ÁGUIA É INQUESTIONÁVEL. MAS ESTARÁ NA ALTURA DE ABANDONAR OS RELVADOS E OCUPAR O CARGO DE DIRIGENTE?


PATRÍCIA MARTINS


Muito se tem falado em Rui Costa esta semana. O motivo são as boas exibições do médio na equipa encarnada, que coincidem com o momento em que se vai dando a entender que este será o seu último ano como jogador. Os adeptos pedem a continuidade, mas as palavras do jogador parecem apontar para outras direcções.

Já corre na internet uma petição para que o “maestro” da luz se mantenha em campo por mais uma época. Alegam que, apesar dos quase 36 anos, está em perfeitas condições de espalhar a magia dentro das quatro linhas e a prova disso é o actual momento. Aliás, até José António Camacho já reconheceu que tem sido o jogador o maior suporte deste plantel encarnado e que afirmou categoricamente que, de momento, é o melhor que o Benfica tem.

Já os críticos do desporto-rei dizem que o Benfica precisa de um director desportivo e Rui Costa tem o perfil indicado para o cargo. Muito se especula acerca da preparação do número 10 para iniciar novas funções já no ano que se segue. É certo que o médio tem tomado parte na preparação da próxima temporada e que a sua decisão de dar por terminada a carreira como jogador é inabalável.

A decisão cabe inteiramente a Rui Costa. Não restam dúvidas da qualidade como jogador que mantém e que a idade não é impedimento para realizar excelentes jogos. Contudo, há um tempo para tudo e o Benfica precisa de encontrar soluções para se libertar desta dependência do número 10. Os Benfiquistas devem interiorizar que o amor à camisola também pode ser transmitido em benefício do clube num outro cargo… E quem melhor para procurar substitutos à altura do que o próprio Rui Costa?

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...




AFINAL QUEM MANDA?




Há uma nova moda no futebol mundial. Uma moda em que o jogador diz que quer sair... e sai!




GUILHERME BRAZ




Este verão foi pródigo em solicitações de transferências feitas pelos próprios jogadores. “Eu quero ir para o Real Madrid”, diz Cristiano Ronaldo. “No Tottenham não jogo mais”, diz Berbatov. “Quero sair”, diz Moutinho. Enfim, são imensos os casos de jogadores que, para facilitar a sua saída dos clubes, manifestam à comunicação social essa vontade. Porque o fazem? Porque sabem que vai ter eco a nível mundial, o que desperta os interesses dos outros clubes, ao mesmo tempo que causa mal-estar dentro do clube onde militam.

Vukcevic, o caso nacional mais recente, disse à antena 1 que vai sair em Dezembro. Quando questionado sobre se já tinha clube, respondeu que não, mas que até lá o arranjaria seguramente. Como pode ter tanta certeza? Pergunte-se ao empresário.

A verdade é que hoje, no selvagem mercado das transferências futebolísticas, não sabemos quem manda. Sabemos quem deveria mandar, os clubes detentores dos passes do seu plantel. Agora é diferente: o clube manda, o jogador manda, o empresário manda.

Mas é o próprio futebol e os seus mais altos responsáveis que fomentam esta “anarquia”. Quando o Sr.Blatter vem falar nos jogadores de futebol como o maior exemplo da “escravatura moderna”, temos realmente de repensar no conceito de escravatura. Escravatura é o trabalho não remunerado ( os jogadores ganham milhares, ou até milhões num mês!), trabalho esse realizado sem qualquer tipo de condições laborais ( as dos jogadores de futebol são sensacionais). Sem me querer alongar muito mais, o que é certo é que os jogadores ganham muito mais e vêem os contratos revistos mais vezes do que um cidadão comum.

Então porquê estas súbitas vontades de sair dos jogadores? Como é que, por exemplo, o Cristiano Ronaldo decide dizer que o seu sonho é jogar no Real Madrid? Se o é, porque renovou o contrato com o Manchester United poucos meses antes de o dizer? Algo não está certo.

É preciso inverter esta tendência anárquica nas transferências futebolísticas. Que o “amor à camisola” praticamente não existe, entristece-me, mas ainda entendo, são as leis da vida e do mercado. Agora isto já é demais...




sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...

METADE JÁ LÁ VAI





A equipa portista revela acima de tudo pragmatismo e eficácia. Em quinze jornadas só perdeu na penúltima. De resto um percurso practicamente limpo, com vitórias sobre os seus principais concorrentes ambas por 1-0.



PEDRO ROCHA



A liga 2007/2008 já vai a meio e é tempo por isso de fazer um pequeno apanhado sobre o que foram estas 15 jornadas.



Na frente, sobre o lema “vira o disco e toca o mesmo”, o Porto lidera, desta vez com nove pontos de avanço sobre o segundo classificado. A equipa portista revela acima de tudo pragmatismo e eficácia. Em quinze jornadas só perdeu na penúltima. De resto um percurso practicamente limpo, com vitórias sobre os seus principais concorrentes ambas por 1-0. Equílibrio? Não. O Sporting e o Benfica continuam a perder pontos onde não podem e a variar entre boas e más exibições. Com problemas administrativos e disciplinares, os dois grandes de Lisboa parecem arrancar para esta segunda volta a lutar pelo segundo lugar.



A SURPRESA

Coloco neste espaço duas equipas com trajectos diferentes nos últimos anos mas que não deixam de ser dois históricos do nosso futebol. Vitória de Guimarães e Vitória de Setúbal estão a encantar o nosso futebol. Com dois técnicos competentes (Cajuda ainda se pergunta porque ainda não treinou um grande, Carvalhal tem mostrado bom trabalho) as duas equipas partiram esta temporada com o objectivo de fazer uma liga tranquila sem os sobressaltos da linha de água. À 15ª jornada, estão em 4º e 5º lugares a apenas um e dois pontos do segundo lugar respectivamente. Com um futebol organizado estas equipas podem, quem sabe, intrometer-se na discussão pelos primeiros lugares da tabela, ou caírem no erro da confiança e caírem na tabela. Esperemos para ver.


A DESILUSÃO

É mais que óbvio que vou atribuir esta menção ao União de Leiria. Com uma equipa recheada de estrelas que visava fazer boa carreira na UEFA acaba a lutar por não descer de divisão. Os motivos são muitos: época mal preparada desde a Intertoto, estádio vazio, falta de motivação da equipa. Mesmo com tudo isto, 5 pontos em 15 jornadas é muito pouco. Vamos ver se a experiência de Vítor Oliveira e o mercado de Inverno vão ajudar na subida desta equipa.


OS CRAQUES

Nesta liga, vários jogadores marcaram a primeira volta. Lucho, Rui Costa, Mateus, Linz, Makukula, Eduardo, Pitbull, Geromel, Fajardo e João Paulo são alguns dos nomes que brilharam individualmente. Contudo, realço acima de todos os outros, um: Lisandro Lopez. O avançado argentino demonstrou esta época todo o seu talento. Raça, frieza, mobilidade, persistência são algumas características do argentino. Com 11 golos na Liga e com uma regularidade impressionante o argentino tem sido a principal arma dos dragões para atacar o título.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...


O PEQUENO GRANDE






Assim se tem construído esta história portuguesa. Os protagonistas? Para além do já referido treinador, José Mota, a formação de Matosinhos conta com um grupo com uma das maiores percentagens de jogadores nacionais, incluindo o médio Braga. Uma aposta deste clube, se pensarmos que ainda não há muito tempo o foi buscar ao Leça F.C., clube que milita na 3ª Divisão.




ANDRÉ MATOS LEITE





Toda a gente conhece a lenda do Robin dos Bosques. Toda a gente já ouviu falar do João Pequeno, companheiro do herói inglês nas suas aventuras. Apesar do nome Pequeno, esta personagem era descrito como um homem alto e forte, capaz de derrotar qualquer soldado do rei tirano. Temos, em Portugal, um exemplo parecido com esta figura. Não numa pessoa individual, mas num colectivo do mundo do futebol, num clube que é, actualmente, contra todas as previsões do início do campeonato, o líder da Liga Sagres.

O pequeno Leixões começou de forma muito modesta a temporada 2008/2009. Uma derrota por 3-1 frente ao Nacional da Madeira prometia pouco deste clube de Matosinhos. Mas a “força do mar”, o sentido de equipa e os ensinamentos do «mister» José Mota carregaram este conjunto para oito jogos sem perder, a maioria dos quais com vitórias. Entre as mais notáveis exibições, incluem-se uma vitória, em casa dos “dragões”, por 3-2 e um triunfo, em Alvalade, por 1-0. Contra o último dos “três grandes” (curiosamente no primeiro embate com estes três emblemas), um empate caseiro frente ao Benfica. Nada mal para um clube que, se dizia, era candidato à descida de divisão.

Assim se tem construído esta história portuguesa. Os protagonistas? Para além do já referido treinador, José Mota, a formação de Matosinhos conta com um grupo com uma das maiores percentagens de jogadores nacionais, incluindo o médio Braga. Uma aposta deste clube, se pensarmos que ainda não há muito tempo o foi buscar ao Leça F.C., clube que milita na 3ª Divisão. Aliás, boa parte das contratações desta época são provenientes das divisões inferiores (Liga Vitalis até à 3ª Divisão). Uma prova de que em Portugal temos muito mais qualidade do que pensam os habituais candidatos ao título nacional. Ah, sim! Uma pequena nota quase esquecida: o orçamento do clube do Mar ronda uns modestos 2 milhões, muito menos do que os 20 milhões anuais dos “encarnados”.

Moral da história: para se ser o primeiro é preciso o quê? Não muito! Bom olho para encontrar qualidade em Portugal, espírito de equipa e de sacrifício, um treinador que sabe orientar os seus pupilos bem, sabe como motivá-los a fazer mais do que os seus colegas de profissão bem melhor pagos e, às vezes esquecido mas não menos importante, uma massa associativa de carácter, uma massa associativa que nunca esquece o clube nos bons ou nos maus momentos, uma massa associativa daquelas que pensamos só existir em Inglaterra e que, mesmo quando não pode ir ao estádio, só apetece ganhar para lhes dar mais uma alegria.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...

CLAQUES: SINÓNIMO DE VIOLÊNCIA?


ONDE ESTÁ A MORAL DE DIZER QUE OS MEMBROS DAS CLAQUES DE FUTEBOL NÃO PASSAM DE UNS BRUTOS SEM NADA PARA FAZER E QUE SÓ PENSAM EM ARMAR CONFUSÃO, QUANDO SÃO OS POLÍCIAS QUE DÃO ENCONTRÕES ÀS PESSOAS SÓ PARA PODEREM "BRINCAR"?


PATRÍCIA MARTINS


É muito fácil ouvir-se alguém dizer que não gosta dos movimentos ultras que ainda vão dando um bocadinho de colorido aos estádios portugueses. E quais os motivos de não gostarem? São violentos, não vêm o jogo só querem confusão.
Quando os adeptos de sofá ouvem o comentador dizer que estão a acontecer perturbações na bancada de imediato resmungam: “aqueles animais são os responsáveis por os estádios não serem um local seguro para a família”.

Não podiam estar mais enganados. Estive eu própria muitas vezes ao lado desses “animais” e sabem o que aconteceu? Polícias – sim, aqueles que supostamente nos protegem e zelam pela nossa segurança – vieram empurrar e insultar adeptos quando estes estavam quietos e calados. Isso mesmo. Parados. Com que objectivo? Não sei, mas presume-se que sejam apenas uns frustrados que acham que por terem um cacetete na mão são mais do que os outros.

Os agentes da autoridade arrumam quem quer que esteja à sua frente e não olham se são crianças ou adultos. Estava eu dentro de uma camioneta, em viagem para o sul do país, quando parámos numa área de serviço e as pessoas presentes, entre as quais uma mulher grávida, pediram para ir ao quarto de banho. Sabem qual foi a resposta dos agentes da autoridade? Façam ai para o chão, afinal são animais! Sim, isso mesmo, queriam que as pessoas fizessem as suas necessidades dentro de uma camioneta.

É certo que as claques não são anjinhos, nem todos os polícias são o diabo em pessoa. É necessário haver bom senso e estar atento. Resta às pessoas conseguirem ver as coisas e não se limitarem aquilo em que é mais fácil acreditar.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...


EM TEMPO DE POLÉMICAS, UM CUMPRIMENTO AOS ESTREANTES



Será este facto assim tão fenomenal, tão incrível para estar a ser falado na Gazeta do Futebol? Parece-me óbvio que sim. Em 22 anos vi muitos clubes na Primeira Liga, mas quase sempre mais do mesmo. Creio que raramente vi subir um clube que já não tivesse estado, muitas vezes na época anterior, na Primeira Divisão. Acho que ver sangue-novo é sempre positivo, acho que é mais um sinal de que o futebol nacional está cada vez mais competitivo.



ANDRÉ MATOS LEITE



Vivemos tempos conturbados no futebol português. Vivemos na dúvida de punições, de descidas de divisão, de pontos perdidos ou de entidades ilibadas. Com toda a controvérsia gerada em Portugal às vezes parece que será uma época de pesadelo aquela que se avizinha. No entanto, acho que há acontecimentos de louvar que farão cedo esquecer todas as polémicas que nos acompanham até ao começo da Liga Sagres, 2008/09.

Clube Desportivo Trofense. Um clube que, provavelmente, até hoje não era muito conhecido em terras lusitanas. Ainda há 16 anos, estava o Trofense nos escalões nacionais inferiores do desporto-rei português. Agora, está prestes a fazer a estreia no principal palco do futebol nacional. É de louvar o empenho que levou um clube a escalar, em apenas 16 anos, a montanha até ao topo das divisões nacionais.

Será este facto assim tão fenomenal, tão incrível para estar a ser falado na Gazeta do Futebol? Parece-me óbvio que sim. Em 22 anos vi muitos clubes na Primeira Liga, mas quase sempre mais do mesmo. Creio que raramente vi subir um clube que já não tivesse estado, muitas vezes na época anterior, na Primeira Divisão. Acho que ver sangue-novo é sempre positivo, acho que é mais um sinal de que o futebol nacional está cada vez mais competitivo. O Trofense é um clube que espero ver em acção, dos poucos que planeio ver ao vivo, um clube que espero (ainda que não o tenha visto jogar ainda) que consiga permanecer no topo do futebol português.

Esta época que passou trouxe algumas surpresas. Os suspeitos do costume para chegarem à Liga dos Campeões não foram os que atingiram a “Champions”. Benfica ficou pelo caminho e Guimarães vai à terceira pré-eliminatória. Isto não é importante (afinal ainda me lembro de ver o Boavista como campeão português nessa mesma prova), mas é importante o facto de me parecer que é um feito que os vimaranenses podem conseguir repetir já esta época. O Trofense subiu à Primeira Liga pela primeira vez na sua história. Espero sinceramente que 2008/09 nos traga mais surpresas agradáveis como esta, é isto que traz interesse ao futebol português, é isto que faz do futebol o desporto-rei, bem mais do que a eterna competição entre os “três grandes”.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

ESTA SEMANA, ESCREVO EU...


FALTA-NOS UM BOCADINHO ASSIM...





"Não considero a nossa selecção uma equipa. Não se trata (parece-me) de atitude, nem de vontade e muito menos de falta de ambição, parece-me, sim, falta de convivência e de rotinas."



PEDRO ROCHA




Numa semana em que a selecção deu mais uma mostra do que é capaz (e do que não é) achei por bem escrever sobre o que me angustia neste fenomenal conjunto de jogadores que temos.

E sim, não estou a ironizar quando me refiro à nossa selecção como um conjunto fenomenal. Senão reparem: temos dos melhores jogadores do mundo em cada sector, ainda que alguns não atravessem o melhor momento de forma. Na defesa, Pepe e Ricardo Carvalho são centrais de classe mundial. No meio-campo, Deco continua a ser um dos melhores jogadores na sua posição. No ataque, temos somente o terceiro melhor jogador do mundo para a FIFA, Cristiano Ronaldo, e mais dois alas espectaculares que ainda no Verão passado tiveram várias equipas interessadas em si, sendo que Simão acabou mesmo por ingressar no Atlético. Quaresma manteve-se no Porto.

Por tudo isto, Portugal parece ser uma equipa sólida na teoria, teoria que se esvazia logo nos primeiros minutos de um qualquer jogo. Não considero a nossa selecção uma equipa. Não se trata (parece-me) de atitude, nem de vontade e muito menos de falta de ambição, parece-me, sim, falta de convivência e de rotinas. Por isso, continuamos a viver (tal e qual como no apuramento) da magia de Ronaldo, Quaresma, Simão, Deco e Nani. Para conseguirmos chegar ao golo são sempre necessários desequilibrios destes jogadores. Uma jogada de equipa, em que a bola circule por muitos jogadores antes de entrar (como no primeiro golo da Itália)? Não vejo. Nós, portugueses, ficamos iludidos por enormes jogadas individuais que terminam em golos de belo efeito, mas trabalho de equipa vê-se pouco, muito pouco. Esse defeito é ainda mais notado quando se trata de defender. Aí os pupilos de Scolari mostram-se desorganizados e pouco, muito pouco coesos.

A nossa selecção tem de acordar rapidamente e Scolari necessita de realçar o seu ponto forte como selecionador: a capacidade de transformar a equipa numa família em que existe um núcleo duro, nem que para isso necessite de deixar alguns jogadores em terras portuguesas. Esperemos, pois, ansiosamente que aqueles 15 dias pré-Euro, em que se trabalha verdadeiramente como equipa, que a selecção das quinas consiga a ligação que falta, e adquira as rotinas de jogo necessárias para chegarmos à final e vencermos (sim, porque não resistirei a outro desaire na praia). Eu acredito, e você?