domingo, 5 de outubro de 2008

CRÓNICA GAZETA DO FUTEBOL

SPORTING 1-2 F.C. PORTO
LIGA SAGRES - 5ª JORNADA
ESTÁDIO DE ALVALADE, LISBOA




PROFESSOR LECCIONA:
«COMO DAR BANHO TÁCTICO EM ALVALADE»




JOSÉ PEDRO PINTO




O punho cerrado e o rosto de contentamento de Jesualdo Ferreira aquando do apito final de Lucílio Baptista simbolizam, para o «dragão», uma 1ª Volta extremamente positiva nas passagens pela 2ª Circular. Um empate e uma vitória contra os rivais de Lisboa, num trajecto quase imaculado e em que os portistas somam 4 preciosos pontos. Já são líderes isolados, à 5ª Jornada. Esta noite, em Alvalade, o F.C. Porto deu uma chapada psicológica no encontro de meio da semana em Londres, saiu pela porta grande com um resultado de 1-2 no bolso e justificou, com uma exibição bem personalizada, toda uma vitória que nasceu do regresso de Jesualdo à aposta no 4x3x3 mas também na forma algo displicente com que o Sporting encarou esta partida: indefinido na vertente táctica, fraco na pressão sobre o adversário e com muitas dificuldades de leitura de jogo por parte de Paulo Bento. O segundo clássico do campeonato e uma nova derrota, desta feita perante os seus adeptos.


«LEÃO» CONFUSO. A coabitação de Derlei, Postiga e… Djaló na frente de ataque leonina representou uma variante táctica inédita na linha de orientação de Bento (deambulando entre o 4x4x2 losango e o 4x3x3) e os seus jogadores demonstraram, desde cedo, não terem assimilado essas nuances de forma a praticar um bom futebol. Já o F.C. Porto regressou ao seu sistema-tipo, com três avançados bem apoiados por Lucho e Meireles, mas também com a coesão defensiva que caracteriza o estilo de jogo «azul-e-branco». Pressionando q.b. numa linha média em que o Sporting ora se apresentava com três unidades ora com quatro, quando Djaló se decidia a recuar para a posição «10», os portistas demoraram apenas dez minutos a perceber qual a melhor estratégia para levar de vencida o adversário: com posse de bola e transições rápidas, lançou o pânico nos últimos 30 metros «verde-e-brancos» e os remates de longe deixavam adivinhar o golo forasteiro. Surgiu no melhor momento do «dragão», quando Tomás Costa derrubou Grimi na direita, cruzou para o interior da grande área e encontrou Lisandro, solto que nem um pardo. 1-0 para o fundo da baliza de Patrício aos 18’. Sem grande reacção e com um F.C. Porto que parecia controlar a seu bel-prazer, o empate surgiu dez minutos volvidos: «penalty» inexistente de Tomás Costa sobre Moutinho e o próprio capitão leonino a encarregar-se de restabelecer a igualdade. Esperava-se uma maior carga positiva no subconsciente do «leão» mas seria, de novo, o «dragão» a passar para a frente do marcador: Bruno Alves, de livre directo, e com culpas para Patrício, a colocar o score em 2-1. E a meia-hora de jogo passava, com o Sporting a revelar muitas dificuldades de progressão contra um «onze» nortenho que sabia como pressionar e recuperava bem mais bolas que o adversário.


CONTROLO E CINISMO. A solução para Bento no reatamento da partida? Colocar Pereirinha, tirar Grimi, deslocar Veloso para a lateral-esquerda e colocar “Roca” como cabeça de área. A curto prazo perderia as (poucas) rédeas do meio-campo para um FCP que regressaria dos balneários com a ideia fixa de suster quaisquer investidas leoninas e apostar no contra-ataque rápido para sentenciar a partida. O «leão» teve mais posse de bola, há que o dizer, mas o banho táctico dado por Jesualdo a Bento foi mais do que suficiente: a pressão como deve de ser feita, ou seja, logo no início do processo ofensivo do adversário, a pronta recuperação no seu último reduto e parcos segundos gastos até se chegar à grande-área contrária foram o segredo para a conquista dos três pontos por parte dos portistas. O SCP mostrava ser pouco lesto na hora de aproveitar os poucos espaços dados pela defensiva «azul-e-branca» - só Romagnoli quase conseguiu aproveitar um erro de Nuno – e nem mesmo a entrada de Liedson corrigiu o handicap com que os «leões» entraram na partida, logo a partir do primeiro minuto. Com muita vontade mas pouco discernimento, o Sporting acabaria por não conseguir empatar o jogo e perderia, também, a vantagem que tinha sobre o F.C. Porto na tabela classificativa. Jesualdo limpou o quadro negro quando Lucílio apitou pela última vez, aos 95’, e Bento saiu da sala, com a lição bem anotada no seu caderno.


Lucílio Baptistanoite complicada para o juiz internacional. O setubalense não sancionou falta de Tomás Costa no primeiro golo do F.C. Porto e errou gravemente ao assinalar grande penalidade deste mesmo argentino sobre Moutinho. Outros equívocos e exageros com cartões amarelos não abonaram em seu favor.



3 comentários:

Anónimo disse...

Desculpa lá, mas vês muito mal os lances, no primeiro lance o corte é na bola, onde o contacto é inevitável, anjinho foi Grimi que tentou proteger uma bola naquela situação.

Depois o Penalty, tens de rever lance, pois Tomás é anjo ao empurrar Moutinho de costas para baliza, pois não existem intensidades, existe ou não falta.

Mas , revê bem os lances e depois, se vires que estás errado, reconhece, pois já vi muitas imagens e não tenho duvidas em nenhuma delas.

de resto a cronica está 5 *****

Abraço

GAZETA DO FUTEBOL disse...

Caro leitor:

A visão que tenho dos lances, após muitas repetições vistas na transmissão da SportTV e,
mais tarde na noite de ontem, no próprio «Domingo Desportivo», deixam-me na mesma.

Na minha opinião, há falta de Tomás Costa sobre Grimi no primeiro golo do F.C. Porto,
pois é uma entrada impetuosa do jogador portista e o facto de tocar primeiro na bola não
desvaloriza o facto de que "arrancou pela raiz" o lateral do Sporting.

Já quanto à grande penalidade, essa não existe sobre Moutinho porque, pura e simplesmente, o
capitão leonino sente o mínimo contacto de "Tommy" e deixa-se cair no relvado.

Contudo, as opiniões pertencem a quem as formula e publica, e nunca me passaria pela cabeça
escrever algo em que tivesse dúvidas.

A minha visão dos acontecimentos é esta; a sua é exactamente o oposto. Estamos ambos no direito de as ter e de contrastar... digo eu.


Um abraço!


José Pedro Pinto

Tommy_Gun disse...

Foi um jogo com desfecho justo. Mesmo não tendo feito propriamente um jogo de qualidade, o Porto esteve muito mais seguro que o Sporting, que pareceu nunca se encontrar durante o jogo todo. E isto porque foram cometidos uma série de equívocos, do qual Paulo Bento é o responsável.

Não me pareceu de todo correcta a opção de colocar Djaló como nº10, perdendo qualidade no último passe. Naquela posição não basta ter velocidade, é preciso saber segurar a bola, conduzi-la de cabeça levantada e tomar decisões rápidas. Não me parece que Djaló saiba seguir esta abordagem ao jogo...

Para além disso, de uma coisa já não se pode ter dúvidas: Miguel Veloso não pode actuar como trinco neste losango do Sporting, porque simplesmente não sabe pressionar (o Porto tinha quase sempre uma avenida á sua frente para explorar. E com gente como Lucho e Raul Meireles do outro lado isso pode ser fatal). Só o pode fazer com as necessárias compensações defensivas nos vértices laterais (como existe no Milan, onde temos o Pirlo mais recuado, mas com gente como Ambrosini e Gattuso ao lado), algo que só me parece possivél se entrar Adrien para a equipa.

Na 2ª parte, com a entrada de Romagnoli (e depois de Liedson), o SCP esteve um pouco melhor, conseguiu algumas transições interessantes (embora lentas) e um par de ocasiões, mas o Porto actuou de forma muito personalizada e fechou sempre muito bem os espaços, salvo numa ou outra ocasião.

Tudo muito junto num campeonato que promete ser muito competitivo (escrevo já depois do empate do Benfica), isto promete!

Uma ressalva em relação á arbitragem: Acho perfeitamente aceitável a visão do José Pedro dos lances, porque estes não são assim tão claros (embora tenha uma opinião contrária no lance de Tomás Costa). Acho que falta referir um importante pormenor, que foi o facto do mesmo Tomás Costa não ter sido expulso, e Lucílio nem tem muita desculpa, porque o 2º lance é bem visivél. Mesmo a jogar muito mal, contra 10 pode ser muito mais fácil, e o Sporting poderia tirar partido. E também a entrada de Derlei, de típico "amarelo avermelhado".